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Comércio é liberdade

O comércio é liberdade, é independência. E a pandemia de covid-19, a par de todas as suas consequências, atingiu frontalmente este conceito, impondo-nos restrições inusitadas. Confrontou-nos com desafios inimagináveis no estágio civilizatório do nosso tempo. Desafios que ainda se apresentam de difícil superação, circunstancia que desabou sobre a humanidade inteira.

Faz mais de um ano que fomos pegos de surpresa para enfrentar um inimigo não só invisível, como detentor de armas praticamente desconhecidas. Um inimigo capaz de desfechar múltiplas formas de ataque contra a humanidade que não se achava minimamente preparada, eis a verdade.
Considerações, comparações e expectativas de toda ordem surgem a cada instante em várias frentes de defesa. Mas os parâmetros, programas e planejamentos terão outra dimensão. Estes problemas, aliados aos custos de operação cada vez maiores, têm provocado, dentre outras consequências nefastas, uma onda de fechamentos de lojas.

Aqui também cabe lembrar que o comércio se transformou radicalmente ao longo da última década. A concorrência está cada vez mais acirrada. Gigantes internacionais entraram e continuam entrando no mercado brasileiro. Numerosas empresas tradicionais e reconhecidas nacionalmente fecharam suas portas. Essa é a melhor prova de que os desafios da atividade são grandes e serão cada vez mais dependentes da eficiência. Os avanços tecnológicos e as imposições do mercado se sucedem em velocidade inédita dentro do nosso próprio setor, a exigir permanente alerta.

As novas ocorrências no território da saúde pública, além de outras, causaram – e continuam causando – prejuízos irreparáveis à sociedade e aos setores produtivos. As implicações de longo prazo impõem profundas mudanças de conceitos em nossa atividade, que precisam ser considerados imediatamente. Não podemos nos permitir o menor vestígio de perplexidade contemplativa. É preciso multiplicar os esforços. Encarar os desfavores ocasionais. Agir sem descanso. Buscar alternativas e as novas oportunidades que costumam nascer nas situações mais desafiadoras e graves, como essa que estamos experimentando. Só nos resta encontrar a forma mais eficaz de enfrentar os impactos econômicos ocasionados pela covid-19. Sem lugar para individualismo.

Por isso mesmo, o gestor público terá de exibir cautela máxima antes de tomar uma decisão que afete a vida das pessoas, da economia e das empresas. Mais do que nunca é prudente buscar o entendimento, harmonizar a sociedade civil organizada e os setores produtivos, no sentido de planejar com equilíbrio, formular projetos que atendam verdadeiramente os anseios coletivos e não favoreçam essa ou aquela atividade ou categoria.

Não devemos, porém, fechar os olhos para a realidade que estamos vivendo. E a palavra de ordem é nos prepararmos cada vez melhor para enfrentá-la. Mas, o comerciante, otimista por natureza, não quer e não pode esmorecer. O comércio quer e precisa crescer. Insiste em dar emprego e gerar renda, apesar do cenário atual, que inviabiliza investimentos dos setores produtivos, notadamente o comércio e os serviços.
Por isso é necessário ressaltar e repetir sempre que estes setores precisam e merecem ser olhados com mais atenção pelos gestores públicos.

Não queremos benesses, nem favores, mas apenas sermos mais ouvidos. Este é o caminho para superarmos juntos as dificuldades e os obstáculos que se colocarem à nossa frente.

 

Publicado no Diário Comercial em 14 de outubro de 2021.